sábado, 15 de julho de 2017

O Mal e o Demónio, Vasco Pinto de Magalhães - Livro -



Uma exigente e inovadora leitura de dois dos fenómenos que mais nos preocupam e de uma actualidade que não deixa de nos surpreender: O Mal e o Demónio. Será ao Demónio que convém que não se acredite nele? Ou será a nós que convém transferir a culpabilidade para outro? É o nosso desejo de ser como deuses que nos diaboliza e diaboliza o mundo, ou precisamos de outras criaturas, também a querer ser deuses, para explicar tanto mal?
 O padre Vasco Pinto de Magalhães nasceu em Lisboa, em 1941. Entrou na Companhia de Jesus em 1965. É licenciado em Filosofia pela Universidade Católica e em Teologia pela Universidade Gregoriana (Roma), Tem-se dedicado sobretudo à Pastoral Universitária, em Coimbra e no Porto, e ao acompanhamento espiritual. Foi co-fundador do Centro de Estudos de Bioética, tendo uma larga intervenção nesta área. Actualmente, é responsável pela formação inicial dos jesuítas portugueses (Noviciado).



Este pequeno livro fala-nos de xorcismo, do mal não explicado. O autor diz-nos que não existem espiritos maus exteriores mas sim demónios interiores que são doenças psiquicas curáveis. A nivel absoluto sim mas tenhamos amente aberta para a existencia de espiritos maus que provocam doenças

O Mal e o Demónio, Vasco Pinto de Magajavascript:void(0)lhães - Livro - WOOK

uma entrevista do autor:

"Por um lado, andamos a fugir do sofrimento, mas vamos bater nele com toda a força e sem base para o enfrentar.
Como é que saímos disto, como se desembrulha este novelo?
Não tenho uma visão pessimista disto, acho que estas coisas são cíclicas e passageiras. Vejo muita gente a reencontrar-se, a perceber onde está. Nestes grupos com que mais lido, uma das coisas que faço com “imenso sucesso” [risos] são as catequeses de adultos. Tenho todos os anos grupos enormes, este ano tenho mais de cem na catequese de adultos.
“Aturar” uma catequese quando se tem um programa atractivo, como ir um concerto, ao cinema ou jantar com amigos… O que move esses adultos?
Acho que é dar-se conta deste vazio.
É uma questão de honestidade consigo próprio para conseguir sair desta ilusão da aparência de que isto basta?
Sim, estou a falar de um grupo específico, não posso generalizar. São pessoas que não entram naquela crítica genérica que fiz antes – estas são exactamente aquelas pessoas que abriram os olhos e querem preparar-se e formar-se até para ir ao encontro dos outros. E é isso que me dá um certo optimismo: é que no meio desta grande massa anónima e superficial, que vive à procura de se divertir e de ganhar dinheiro e sem grande perspectiva de futuro – porque isso incomoda muito, pois se começam a pensar no futuro entram em crise – no meio disso tudo, há exactamente grupos muito atentos. Restos de Israel, digamos assim. Têm uma inquietação missionária na educação dos filhos, naquilo que lêem, naquilo que procuram…
E imagino que no seu tempo de mestre de noviços também encontrou jovens normais, que poderiam vir a ser “yuppies”, com carreiras de futuro, e que fizeram uma viragem existencial, um caminho profundo para perceber as razões da vida, indo para padres…
Sim, sim e gente tão boa! Só que agora já não são em grandes quantidades como antigamente, o que então nos dava uma sensação de segurança… Agora vive-se na corda bamba, porque os números são muito pequenos, é tudo muito vulnerável, porque as emoções e os impactos culturais entram com tanta força… Vemos isso, sobretudo, nos mais miúdos. A quantidade de informação dada com muita intensidade emocional faz com que haja muito pouca estabilidade de pensamento e de segurança e isso introduz um sofrimento, uma inquietação muito frequente. E depois, há refúgios…
O spa é um deles. Há quem diga que significa “salvo pela água” e também há quem se ache salvo pela cosmética, pelas coisas da moda. A salvação é desejada por todos, mas é canalizada de maneira errada?
Sim, esta cultura criou estes sucedâneos. Os sucedâneos não eram maus, porque eram complementos, o problema é que se trocou a coisa de fundo pelo complemento. E o complemento é um bocadinho enganador, porque é um paliativo. Durante um momento satisfaz e a pessoa esquece, mas o problema de fundo não foi resolvido, não é?
E o problema de fundo, qual é?
O problema de fundo é exactamente viver com um sentido da vida, com perspectivas de realização profunda e não andar a fugir dos problemas, mas ser capaz de os enfrentar e de os superar.
Isso é uma chamada de atenção a ser realista, a estar com os pés bem assentes na terra? Mas a realidade dói!
A realidade dói muito e, por isso, se foge. Dos quatro grandes critérios do Papa na exortação “A Alegria do Evangelho”, um deles é exactamente isso: “a realidade é mais importante do que a ideia”. Só que hoje não, a ideia passa à frente. Estamos com essa enorme tentação de substituir a realidade pela ideologia.
Mas não é consciente. As pessoas não param para decidir substituir a realidade, as pessoas acham que vivem a sério.
Quase que essa ideologia passou, para elas, a ser uma espécie de realidade, porque é veiculada, é o que aprendem na escola, é a cultura, é o que a gente, de alguma maneira, vê nos jornais. Custa-lhes, por exemplo, hoje serem críticos em relação à ideologia de género, porque quando, depois, conseguem começar a pensar começam a perceber que há ali muito engano, mas não querem olhar para a antropologia, para o que é que está por detrás, para ter opiniões, sobretudo no campo moral, no campo da ética. Os debates, como, agora, o da eutanásia, não vão ao fundo da questão, ver que pessoas estão ali por detrás. Não, se for preciso, dizemos que não há natureza, que há só acção e podemos mexer em tudo e, portanto, o mundo é aquilo que a gente quiser que seja e não há uma base; quase que prescindimos da antropologia, não é? E isso é uma doença do nosso tempo que passa na cultura, passa nas aulas, passa nos jornais e é muito perigoso porque acaba por ser muito destrutivo.
Como é que se cura essa “doença”?
Cura-se criando momentos em que seja possível pensar – e pensar criticamente, ajudando a olhar para a realidade. Cura-se com a meditação, com a contemplação…
Mas também há uma grande confusão sobre a meditação.
Pois, isso sucede quando a meditação também é um refúgio e não um encontro. A meditação é exactamente um encontro com a realidade tal como ela é, que me faz encontrar também com o Deus criador e salvador. Mas isso supõe um encontro pessoal, enquanto a outra é um bocado evasiva.link


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