quinta-feira, 20 de julho de 2017

"Pentateuco", isto é o conjunto dos primeiros cinco livros da Bíblia, Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio, que foi o primeiro livro impresso em Portugal

Reprodução ‘fac-similada’ do Pentateuco impresso em 1487 Faro
(faarão),
 Em1496 os judeus sefarditas são expulsos do algarve, hoje podem requer a nacionalidade portuguesa ao abrigo de uma lei de março de 2015 que atribui esse direito aos descendentes de judeus sefarditas nascidos em Portugal antes da ordem de expulsão. 
hoje em 2017 

a editora“Sul, Sol e Sal” entendeu evocar esse acontecimento histórico lançando, na passagem dos 530 anos sobre essa data, uma reprodução ‘fac-similada’ do exemplar depositado na British Library.
A publicação resulta da coincidência de vontades e do esforço conjunto daquela editora e do Círculo Teixeira Gomes – Associação pelo Algarve.         
O “Pentateuco”, impresso nas oficinas de Samuel Gacon, em Faro, no ano de 1487, é o mais antigo livro impresso em Portugal.
A presente edição é acompanhada por um estudo introdutório de Manuel Cadafaz de Matos, da Academia Portuguesa da História, que contextualiza a edição de Faro do “Pentateuco” na história da imprensa incunabular hebraica portuguesa.
Associou-se ao evento a Fundação Portuguesa das Comunicações e o Agrupamento de Escolas Afonso III. 
(Fonte: Jornal do Algarve)
Marcelino das Neves acaba por concluir que “a Biblia dos Setenta, os LXX não são apenas uma tradução, mas também uma recriação e interpretação do original hebraico ou seja, os tradutores dos LXX não são apenas tradutores, mas hierophantes et prophétes: ces hommes qui ont pu suivre par des expressions transparentes la pensée si pure de Moïse.


O Novo Testamento usa destas interpretações para exprimir o mistério de Cristo, assim cabe também neste encontro de Fátima, alegramo-nos pela publicação hoje de palavras santas que nos lembram  esta citação biblica e a promessa de Abraão: Novo Testamento, Carta aos Gálatas 3,27-29:
“Todos vós que fostes baptizados em Cristo, vos revestistes de Cristo.Já não há diferença entre judeu e não judeu, entre escravo e homem livre, entre homem e mulher, pois todos vós sois um só em Jesus Cristo. E se pertenceis a Cristo, então sois de facto a descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa.”

entretanto a realidade histórica evoluiu e temos uma vaga de retornados: "Cerca de trezentos anos mais tarde, após a tremenda devastação provocada pelo terramoto de 1755, o Marquês de Pombal decidiu convidar os descendentes dos judeus expulsos a regressarem a Portugal, e ajudarem a dinamizar a economia do nosso país. Por volta de 1780, começaram a chegar os primeiros descendentes, vindos de Marrocos e Gibraltar. Foram adquirindo algumas propriedades, mas só se estabeleceram definitivamente a partir do início do século XIX: «Assim que chegaram aqui a Faro, constituíram uma comunidade com 60 famílias, e começaram a dedicar-se ao comércio local de tecidos, cereais, cortiça, quinquilharia, ferramentas, drogaria, relojoaria e madeiras», explicou às Selecções António Valente." link

Hoje os judeus sefarditas precisam de orações na sua língua maternal publicada em 2016:"Este sidur - livro de orações judaicas - tem o texto original em hebraico e também a tradução e a transliteração para o português. É apropriado para judeus sefarditas, oriundos de Portugal, Espanha e do Marrocos. Outra característica importante deste trabalho é que as explicações no texto em hebraico estão traduzidas para o português facilitando ao leitor que lê hebraico mas não compreende, característica muito comum nas comunidades judaicas da Diáspora.Este livro tem por Nussach – ritual de oração – o Nussach Sefaradi, da maneira como recebemos de nossos pais que aportaram no início do século XIX, provenientes em sua maioria do norte de África, de cidades de Marrocos, como Tênger, Tetuan, Salé, Rabat, Fez, Marraquexe, Casablanca e outras. A sequência é devidamente seguida de modo que tudo encontra-se no seu lugar apropriado, tendo quando necessário uma observação para eventos anuais do calendário hebraico, como Rosh Chodesh, Chanucá, Sefirat Haômer, Pirkei Abot, Limud Chodesh Nissan, Shabat Zachor e todas as Parashiot para a  Minchá de Shabat. Também adicionámos as Hashkabot e Mi Sheberach no final do livro.
Pedimos a D’us, que abençoe esta obra e que todos possam dela usufruir.
Belém, 01 de Tamuz de 5766_27de junho 2016 - Rabino Moysés Elmescany
Yerushalaim, 01 de Tamuz de 5766_27de junho 2016 - Chazan David Salgado (Elmaleh)" link

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outro testemunho:

CENTRO JUDAICO DE FARO

No princípio deste mês, aquele espaço foi enriquecido com um museu, onde assumem relevo central, diversas peças que fizeram parte de uma antiga Sinagoga que existiu em Faro e que funcionava ainda nas primeiras décadas do século vinte. A disposição dessas peças no museu, recria, com o auxílio de fotografias, o ambiente de um casamento hebraico. O cenário é composto pelo púlpito, arco e lamparina originais da antiga Sinagoga de Faro. O conjunto do cemitério e do novo museu passou a constituir o Centro Judaico de Faro, que foi inaugurado em cerimónia que contou com a presença do Embaixador de Israel, do Presidente da Câmara de Faro, dos Presidentes das Comunidades Judaicas de Lisboa e do Algarve e ainda dos descendentes do Benemérito Isaac Bitton, que há cerca de vinte anos tomou a iniciativa de restaurar o cemitério que então se encontrava muito degradado. No museu do Centro Judaico de Faro, encontramos ainda a história da presença judaica em Portugal e uma parte do "Pentateuco", isto é do conjunto dos primeiros cinco livros da Bíblia, Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio, que foi o primeiro livro impresso em Portugal, justamente na cidade de Faro, pelo judeu Samuel Gacon. É com muita alegria que registamos este importante e significativo acontecimento da vida da Comunidade Judaica do Algarve, actualmente presidida por Ralf Pinto, na expectativa de que este novo Centro Judaico de Faro, possa vir a ser local de encontro entre todos os filhos de Abraão: judeus, cristãos e muçulmanos, mas particularmente entre a comunidade judaica do Algarve e os cristãos algarvios. Temos todos ainda bem presente a histórica visita que João Paulo II efectuou em 13 de Abril de 1986 à Sinagoga de Roma, naquela que constituiu a "maior" viagem apostólica do seu pontificado, pois apesar de a Sinagoga distar do Vaticano apenas um escasso quilómetro, foram dois mil anos de história e de separação que o Bispo de Roma teve que percorrer para ir ao encontro dos "nossos irmãos mais velhos" e abraçar o Grande Rabino Elio Toaff. Ainda recentemente, ao recordar esse momento singular, o Cardeal Walter Kasper disse que os fiéis das duas religiões devem "transmitir a memória do Holocausto e a memória da fé em Deus, para que as futuras gerações se possam nutrir delas". È preciso, segundo aquele purpurado, "não só dialogar, mas também cooperar" em actividades sociais, culturais e institucionais, de modo a que judeus e cristãos possam "levantar em conjunto, a chama da esperança, para dar ao mundo confiança e coragem". Nesta ocasião, ao felicitar a Comunidade Judaica do Algarve por esta notável iniciativa, saudamo-la ainda com a recitação do Salmo 125 (124): "Quem confia no Senhor, é como o monte Sião: nada o pode abalar, está firme para sempre. Como Jerusalém cercada de montanhas, assim o Senhor envolve o seu povo, agora e para sempre. Os impíos não dominarão sobre a herança dos justos, para que estes não sejam atraídos à maldade. Fazei bem, Senhor, aos que são bons, aos homens de coração recto. Aos que andam por maus caminhos, o Senhor os leve com os malfeitores. Paz a Israel."

no site de Faro



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no final deste século nós vamos ter 450 milhões de falantes da língua portuguesa, lembrar um livro sobre a importância da lingua portuguesa na obra “A Bíblia na Idade Média” de Prof. Frei Herculano Alves”


"Quando nos lembramos do Tratado de Zamora, celebrado no dia 5 de Outubro de 1143, em que estava presente, naturalmente, um legado do Papa, ainda não havia reconhecimento e, por isso, Afonso VII – com a sua soberba – afirma-se como ‘imperator’ perante aquele que é, daqui para a frente, um ‘rex’. Pois bem: os fundamentos, designadamente neste momento crucial que é o Tratado de Zamora, são fundamentos que têm uma base e uma legitimidade fundada certamente na Bíblia, no texto bíblico. Porque Prof. Frei Herculano Alves, a propósito da Bíblia, vai dizer-nos a par e passo, aquilo que é algo de fundamental na afirmação cultural: não há afirmação cultural da língua portuguesa sem a reflexão bíblica. Naturalmente que, com a evolução do tempo, como no caso da poesia, a maturidade é alcançada no séc. XVI: ‘Sete anos de pastor Jacob servia, Labão, pai de Raquel, serrana bela; mas não servia o pai, servia a ela, e a ela só por prémio pretendia’. Aqui está, neste soneto de Camões, a Bíblia (livro do Génesis). É apenas um exemplo, mas podia dar ‘n’ exemplos. É a presença da reflexão bíblica e, simultaneamente, em termos que nos são tão próximos. Porque é que eu invoco a maturidade da língua no séc. XVI? Porque este caminho que nós encontramos nestes mil anos da Idade Média é um caminho muito seguro, um caminho sem recuos, um caminho que vai permitir termos no séc. XVI a maturidade da poesia. Dei-vos o exemplo de um poema sobre o Génesis, clara e inequivocamente! E não é uma passagem qualquer: vemos Raquel, mãe de José do Egipto e de Benjamim. Não há hoje, nos tempos actuais, ninguém que possa explicar aos seus alunos o que é um ciclo económico, sem invocar a forma como José vai revelar o significado do sonho do faraó. O significado é a primeira lição de economia. ‘Sete vacas gordas, sete vacas magras!’ No séc. XIX, Clément Juglar vem apenas dizer o seguinte: são sete anos, um ciclo." link