quarta-feira, 31 de maio de 2017

livro: Ao sabor da Bíblia

11-2017Editor: Alêtheia Editores


não só o Pão e o Vinho são os alimentos da Bíblia. Todas as religiões enfatizam a comida, o jejum, o beber, a purificação ritual, ler este livro lembra-nos como é útil por vezes quebrar hábitos e comer  bem em tempos sagrados segundo as nossas crenças. Os judeus comem kosher, os católicos respeitam as regras do calendário, por ex. peixe à 6ºfeira e comer com fartura no natal, etc. Bom apetite.

na editora: "Ao sabor da Bíblia apresentar-se-á ao leitor como um duplo convite: primeiro, a um percurso pela história da comensalidade desde os primeiros tempos até ao início do Cristianismo, e, de seguida, como uma convocação à experiência gastronómica da confeção e degustação de menus onde imperam alimentos, temperos e sabores que marcam o itinerário da história judaica e cristã. Da autoria de Luís Lavrador, docente na Escola de Hotelaria de Coimbra, primeiro chef português a tirar o doutoramento em Portugal e chef da Seleção Portuguesa de Futebol. Ao sabor da Bíblia revive alguns dos banquetes, ceias e bodas retirados dos principais relatos escritos da história humana; os intervenientes, os motivos e os objetivos que levaram à realização destes episódios.

Com base na Bíblia Sagrada, a obra evidencia as marcas diferenciadoras e também a base comum entre as mesas dos judeus e dos cristãos e, antes disso, a vivência da refeição como experiência de paixão e de afeto, de bênção e de punição, isto para mostrar também a sua componente simbólica e espiritual. Nas palavras do autor, citando Eça de Queiroz, depois de um percurso histórico e de contexto mais teórico, Ao Sabor da Bíblia entregará o discurso às caçarolas. Porque o texto bíblico é rico e descreve um grande número de refeições, Luís Lavrador propõe um conjunto de ementas inspiradas nas mais importantes refeições bíblicas, com propostas de ementa para o Natal, para a Páscoa, para um banquete, ou mesmo para um dia de lazer, entre outras.

Os alimentos, os temperos, as formas de confeção propostas são as descritas na Bíblia, naturalmente com um trabalho de reconstituição que respeita o rigor histórico, com o livro sagrado como guia, no caso como guia gastronómico." LINK
excerto do livro:


Para o cristianismo a fonte de onde jorram as verdadeiras delícias é a mesa da Ceia Pascal,
continuada na Eucaristia. Os alimentos que compõem o menu que se reparte nessa mesa são os
únicos que têm como prazo de validade a eternidade. A essa mesa não vai nada que esteja azedo ou
com bolor. O pão e o vinho que aí se levam representam todo o alimento que, quando partilhado,
nutre a transcendência de cada pessoa e une os homens uns aos outros.
A exemplo de outras mesas, os pratos servidos sobre ela deverão ser tomados com apetite,
como forma de potenciar, em cada comensal, a capacidade de perdão, de partilha do pão e de
solidariedade.

A par destas dimensões, concluímos que o desejo humano de felicidade se tem fortalecido,
não só por meio da simples refeição, mas sobretudo através do banquete. É nele que, na Bíblia, a
mesa e o altar da celebração se fundem, criando-se um espaço de partilha, a partir do qual a esfera
sensorial faz fruir as suas maravilhas até à plena satisfação humana.
É tal o significado destas mesas que elas têm agitado os corações

Numa sociedade com profundas mudanças culturais, a linguagem alimentar torna-se cada
vez mais determinante na concepção das opções individuais, pela sua capacidade de congregação,
por um lado, e pela segregação que provoca, por outro….Se degustar um alimento é uma forma de o conhecer e ficar envolvido nele,
também é sabedoria saber escolhê-lo… O exercício degustativo estabelece a diferenciação de todos os seres humanos, por se tratar
de um acto absolutamente pessoal e identitário. Na verdade, duas pessoas podem comer o mesmo
alimento em mesa comum, mas a forma como o sentem, o saboreiam e o prazer que lhes causa é
diferente.
EMENTA
Acepipes
Sementes de amêndoas e pistácios tostados (Gn43,11), maná (Ex16,31-
35).
Sobre a mesa
Pão ázimo (Ex12,15), pão fermentado (Jo6,34), vinho (Gn14,18), azeite
(Lc10,34), manteiga (Gn18,8).
Entrada
Taça de suco de amoras (1Mac6,34) e uva do rebusco (Is24,13).
Sopa
Sopa de legumes frescos e pepinos bravos (2Rs4,38-41) com grãos de
mostarda (Lc17,6).
Peixe
Peixe assado em vivas brasas (Jo21,9) com papas e pão migado à mão
(Dn14,33).
Carnes
Espádua de cordeiro assado ao fogo (1Sm9,24) com lentilhas guisadas
(Gn25,34).
Caça guisada na marmita (Gn27,30-31) com favas (Ez4,9).
Tábua de queijos
Queijos de ovelha, cabra e vaca (Jdt10,5), requeijão com mel (Is7,15),
uvas frescas (Mt7,16), uvas secas (1Sm30,12), figos secos (1Sm30,12),
tostas sem fermento (Lv2,4) e filhós (Ex29,24).
Frutas
Figos (Jr24,2), uvas (Mt7,16), maçãs (Ct2,5), melão (Nm11,5) e romãs
(Ct4,13).
Doces
Bolos de figos secos (1Sm25,18), torta de uvas secas (1Sm 25, 18), torta
de uvas frescas (Is16,7), torta de cevada (Ez4,12), bolo de mel (Ex16,31).
Digestivos
Licores (Is28,7) ou absinto (Jr23,15).

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