quarta-feira, 10 de maio de 2017

foto livro. Fátima - Enquanto Houver Portugueses As long as there are Portuguese de Alfredo Cunha

Nas celebrações dos 100 anos das Aparições de Fátima, o fotógrafo Alfredo Cunha apresenta 100 fotos que fazem uma justa homenagem a todos os fiéis de Fátima e aos peregrinos em particular, que irão rever-se nas imagens e no texto da obra. Com introdução do jornalista António Marujo em edição bilingue (português e inglês), este livro é um registo único do santuário de Fátima e dos que fizeram daquele um dos maiores locais de peregrinação do mundo cristão.


In the celebrations of the 100 years of the Fatima Apparitions, the photographer Alfredo Cunha presents 100 photos that pay a fair homage to the Fatima’s faithful of and to the pilgrims, who will feel reflected in the pictures and text of this work. Introduced by the journalist António Marujo in a bilingual edition (Portuguese and English), this book is a unique record of the sanctuary of Fatima and of those who have made it one of the greatest places of pilgrimage in the Christian world.

"Faces, expressions, feelings, experiences. Lived lives. (…)
It is these people and this sacred quality that we find throughout the images gathered in this album of Alfredo Cunha’s work: from humble faces furrowed by time to more institutional images such as those of Cardinal Bertone, Vatican’s Secretary of State, and the many other bishops, priests and religious figures who welcome us in the first photos. (…) Over the decades, it has been these people, millions of faces like these, who have built Fatima" - António Marujo 
introdução de António Marujo: Rostos, expressões, sentimentos, experiências. Vidas vividas.
"São estas pessoas, e é este sagrado, que nos falam nas fotos de Alfredo Cunha reunidas neste álbum. (...)
Adivinham-se, aliás, expressões, sentimentos, experiências e vidas muito diversas. Seja o pai que vai de joelhos levando o seu bebé ao colo, as jovens que se abraçam, as pessoas que carregam  ou mostram imagens religiosas como quem exibe uma senha de identidade, a partilha do fogo de uma vela, ou os momentos de descanso, mesmo no meio das celebrações litúrgicas. Ou, ainda, a comoção e a profundidade do olhar durante as procissões das velas e do adeus, esteticamente únicas e belíssimas (...), e que são dois momentos que redimem em absoluto o mau gosto de grande parte da iconografia que à volta do fenómeno se pode encontrar. 
O cais dos portugueses, a plenitude que abraça terra e céu
Foi por todas estas razões – a protecção que cada pessoa sente naquele lugar, a busca espiritual, a gratidão e muitas outras – que frei Bento Domingues já se referiu a Fátima várias vezes como “o cais dos portugueses”. Se Fátima perdura, dizia ele numa entrevista, “é porque responde a qualquer apelo da alma nacional”. E acrescentava: “O antropólogo Jorge Dias dizia que, «para o português, o coração é a medida de todas as coisas». Isto parece-me bem evocado em algumas manifestações de Fátima. Pelo menos desde o século XV, andamos sempre a despedir-nos, a dizer adeus. Nesse sentido, a Procissão do Adeus é a evocação simbólica desse fenómeno da nossa história. Todos estão sempre a despedir-se de alguém. Não é propriamente a despedir-se de Nossa Senhora. Ao mesmo tempo é engraçado: durante a missa, anda tudo de um lado para outro, tudo mexe, ninguém tem sossego. Começa o «Adeus» e pára tudo! Os pais põem os garotos às cavalitas também com lenços e, de repente, tudo parou. O barco vai partir. É algo absolutamente impressionante! Também a Procissão das Velas, sob o ponto de vista da beleza, é admirável: aquela esplanada enorme, toda em luz, é algo incomparável e emocionante. Nunca podemos desligar a religião da emoção. As emoções devem ser transmudadas sob o ponto de vista estético, mas é para serem potenciadas, não anuladas. E em Fátima, esses dois momentos exprimem algo da nossa alma colectiva.”
Esta expressão da “alma portuguesa” pode encontrar-se também no canto que diz que “enquanto houver portugueses, tu serás o seu amor”, numa invocação da Virgem, que Alfredo Cunha quis recuperar para título deste álbum.
A expressão plural deve incluir, aqui, a singularidade de cada pessoa. Porque, em Fátima, mesmo se é de uma multidão que quase sempre se fala, é cada pessoa que conta. É cada um ou uma que está ali por uma razão muito concreta, por vezes muito sofrida, outras vezes jubilosa, mas sempre uma razão íntima, pessoal, bem determinada. A relação com Deus – ou a intermediação da Virgem, mesmo se nem sempre a destrinça é muito clara – é uma questão da intimidade pessoal. Cada um sabe de si e Deus sabe de todos, diz a expressão popular. Essa relação é bem traduzida numa frase de um outro cântico: “Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos” ( e cuja segunda parte quase deveria ser corrigida para “peço-vos perdão quando eu não creio, não adoro, não espero e não vos amo”, em vez do pretensioso “peço-vos perdão para os que não crêem...”).

(...) ao longe, a Cruz Alta, obra de Robert Schad. Todos aqueles rostos e corpos, mesmo se voltados de costas para a cruz, não fazem mais do que repetir o gesto que ela consagra: o despojamento, a entrega total, o pedido de socorro e a ajuda, a plenitude que abraça terra e céu e que a todos abarca numa relação desarmada..." link

Sem comentários:

Enviar um comentário